Newsletter
Notícias

"O coop deve se preparar para um mundo mais incerto e mutante"

08/06/2026

Ele aprendeu a ler o futuro antes mesmo de ele chegar. Com uma carreira construída nos centros de poder do Brasil e do mundo, Paulo Paiva foi ministro do Trabalho (1995–1998) e do Planejamento e Orçamento (1998) no governo Fernando Henrique Cardoso, vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e presidente do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais. Ao longo de sua carreira, atravessou décadas de crises, reformas e transformações econômicas sem perder o rigor analítico que o tornou uma das vozes mais respeitadas do debate sobre desenvolvimento no Brasil.

Geógrafo de formação, mestre em Demografia pela Universidade da Pensilvânia e professor aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Paiva é também instrutor da Fundação Dom Cabral e um dos professores do programa Lidercoop do Sistema Ocemg no módulo de cenário político e econômico. E diante de um cenário global que ele considera inédito em complexidade — com guerras, polarizações ideológicas e reconfiguração do jogo econômico global — ele recomenda às lideranças empresariais e políticas agir com “prudência e ousadia”.

“Em crises se aprende muito”, afirma. “As mudanças nos tempos atuais não surgem apenas dos conflitos entre nações, mas também das inovações tecnológicas que causam rupturas de onde surgirão novos ciclos de expansão. Essa é a lição que a história do mundo moderno nos ensina”.

Na visão de Paiva, esse novo contexto não é apenas um desafio conjuntural. É um chamado à estratégia. E ele acredita que as cooperativas — por sua estrutura, seus valores e sua capilaridade — têm condições únicas de se adaptar e prosperar, desde que suas lideranças estejam dispostas a ler o mundo com mais atenção, preparo e visão de longo prazo.

Em entrevista exclusiva à Cooperação em Revista, Paiva explicou os principais desafios e as oportunidades abertas para as cooperativas, no mundo de hoje. Ele também falou sobre as expectativas do mercado sobre quem as lidera. Confira:

 

Nova configuração global

“Os conflitos internacionais, até o final do século passado, eram mais restritos a disputas regionais e se concentravam, principalmente, nos continentes africano e asiático. Mas o século XXI já começou mostrando sua complexidade internacional, a partir dos atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos. O mundo seria diferente a partir dali — e é. Mais recentemente, o conflito entre Rússia e Ucrânia, assim como as recentes operações militares dos Estados Unidos na Venezuela e no Irã, sinalizam que o sistema multinacional de paz e desenvolvimento construído com a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), após a Segunda Guerra Mundial, havia sido destruído.”

 

Impacto imediato

“Todos os setores que dependem do comércio entre nações sentem o impacto dessa nova configuração do cenário internacional. No caso do comércio, o impacto aparece nas cadeias globais de valor, e, em consequência, indicando novas práticas, como acordos bilaterais e reconfigurações como nearshoring [transferência de operações produtivas ou de serviços para nações geograficamente próximas, em vez de mantê-las em locais distantes] e o friendshoring [realocação da produção para países considerados politicamente mais alinhados ou confiáveis].

Já o novo contexto global do mercado financeiro coloca em risco a hegemonia do dólar, sugerindo a possibilidade de outras moedas servirem de meio de pagamentos nas trocas comerciais, principalmente entre economias cujo fluxo de comércio com a China aumenta, suplantando o fluxo comercial com os Estados Unidos. O Brasil é um exemplo desses países.”

Leia a entrevista completa com o ex-ministro Paulo Paiva na Cooperação em Revista nº 10, disponível no site do Sistema Ocemg. Acesse aqui.

Sistema Ocemg

 

O EasyCOOP e os cookies: nós usamos os cookies para guardar estatísticas de visitas, melhorando sua experiência de navegação.
Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.